TOTE GARCIA
(1907– 1987)
Em plena 1ª
Guerra Mundial, os tempos em Cuiabá eram outros.
Um menino de aproximadamente 10 anos branquinho, estava
na época de seca cortando capim a beira do
Rio Cuiabá e do rio Coxipo, para vender e comprar
um instrumento que já havia aprendido tocar
de ouvido; um violino. Esse menino era Antonio Garcia,
nascido em Cáceres e com pouca idade havia
mudado para Cuiabá com seus pais João
da Costa Garcia e Henriqueta Vieira Garcia (filha
do comendador Henrique Vieira que fundou a cadeia
pública de Cuiabá, hoje Centro de Reabilitação
D. Aquino Correia.
Antonio Garcia aprendeu a tocar violino escondido
dos pais que não queria que ele fosse músico
e como tinha ouvido absoluto e a sua necessidade musical
era o maior desejo do seu espírito, acabou
comprando um violino fabricado em Bresser (Alemanha)
de 1687 através do comércio que MT tinha
com aquele pais no final da 1ª grande Guerra
Mundial (esse violino esta guardado com a família
do mesmo até hoje). Com o instrumento adquirido,
aprendeu a desenvolver seus estudos com o professor
André Avelino.
Já
conhecido com o apelido de “Tote Garcia”
e com 20 anos começou a trabalhar no Tribunal
Regional Eleitoral e pouco a pouco foi se enturmando
com outros músicos até formar o lendário
Conjunto Serenata, que reúne vários
nomes da música cuiabana da época (ver
capa do disco rasqueado cuiabanos).
Por muito tempo o conjunto serenata alegrou o Estado
de Mato Grosso tocando valsas, chorinhos, tangos e
rasqueados e numa dessas reuniões na casa da
pianista Zulmira Canavarros, estavam lá além
de Tote Garcia, Vicente dos Santos,Dunga Rodrigues,
Honório Simaringo, Dante Miraglia, Jose Agnelo,
Odare Vaz Curvo, Nilson Constantino etc. E num certo
momento de reflexão coletiva, começaram
a chamar de rasqueado cuiabano todas as composições
de rasqueado feito pelos compositores daquela época
(antes o rasqueado era enumerado na partitura sem
nome).
Em
1957 o músico Dante Miraglia, levou o rasqueado
do Conjunto Serenata para Bauru (SP) numa de suas
trocas de conhecimentos com o conjunto Enamorados
de Euterpe daquela cidade. Esse conjunto começou
a executar o rasqueado cuiabano com o mesmo brilho
do Conjunto Serenata (fato este que precisa de mais
pesquisa) e Tote Garcia começa a levar o Conjunto
Serenata para São Paulo (Hilton Hotel) Brasília,
Rio de Janeiro com apoio do Secretário do Governo
José Rabello Leite que foi o maior “Promotor”
da época da música e do Conjunto Serenata.
Tote Garcia deixou varias composições
em partituras, em gravação de fita de
rolo e também na gravação do
disco de vinil do Conjunto Serenata, onde duas composições
suas (Cadê Totinho e Rabello no Coxipo) faz
parte do histórico disco.
Conforme a informação do seu filho José
Garcia (já falecido) ele compôs valsas,
hinos, chorinhos e rasqueados (este era sua maior
inspiração), pois sempre buscava título
para suas músicas em fatos memoráveis
e acontecimentos de rotina como Carrapato no Melado
(nome dado na observação do jeito de
dançar de um conhecido dele) Acuri com Figueira,
Aprendi com Tote (título dado pelo músico
cacerense Namy Ourives) Zé Ceguinho (a um amigo
seu). Antonio Garcia morreu no dia 18 de março,
1987 em Cuiabá. Em 1995, foi fundado no Horto
Florestal a beira do Rio Coxipó pela Prefeitura
Municipal a praça Tote Garcia em homenagem
ao grande músico e morador permanente do bairro
Coxipo.