MESTRE IGNÁCIO
(1892– 1986)
O
grande Mestre Ignácio nasceu em Cuiabá
no dia 12 de novembro de 1892. Foram seus pais Fidêncio
Constantino de Siqueira e Severina Corrêa de
Freitas.
Desde pequeno acompanhava seu pai, devoto de Santa
Cecília, nas festas dedicadas à santa,
e outras festas mais. Tornou-se músico multi-instrumentista
começando seu aprendizado pelo pé-de-bode
(sanfona pequena, de 04 e 08 baixos), depois clarineta,
cavaquinho, trombone, trompete, baixo, etc.
De sua autoria registram-se mais de duzentas composições
entre valsas, maxixes, chorinhos, marchas e rasqueados,
sendo que este era o seu "prato predileto".
A sua banda, além dos ritmos já mencionados,
executava, também, jazz, blues, boleros, fox-trott,
etc. Algumas de suas obras são: Recordando
Sempre, Festa no Bandeira, Tanque do Baú, Pega
Pra “Capa”, e algumas que foram gravadas
em São Paulo.
Formou-se
em música e dava aulas à noite de 2a
às 6a feiras (durante o dia trabalhava de pedreiro),
de onde saíram inúmeros bons músicos
que formaram vários conjuntos em Cuiabá.
Formou a sua banda juntamente com Antônio dos
Santos, no começo dos anos 20 do século
passado. Com 12 musicos, eles organizaram a chamada
“Banda Operaria”, estreando na festa de
Nossa Senhora da Guia. Permacecu com esse nome provisório
até 1926, quando a banda recebeu o nome de
“Banda Lira Operária Santa Cecilia”,
e que permaneceu até 1981, devio a saúde
abalada do mestre.
O
rasqueado cuiabano só tomou forma na sua batuta.
Antes do Mestre Ignácio, o que se ouvia era
a toada do siriri e resto de polca paraguaia em forma
de rasqueado, ou o pré-rasqueado.
Não deixou descendentes, por nunca ter casado.
Conviveu, sim, com várias mulheres, no seu
jeito boêmio. Sempre foi alegre, criativo, digno
e respeitado em sua genialidade.
Enfim, Cuiabá criou Mestre Ignácio,
Mestre Ignácio criou o rasqueado e o rasqueado
criou o cuiabano.
Mestre Ignácio morreu no dia 09 de abril de
1986 no Bairro Baú, onde sempre viveu, deixando-nos
a sua alegria e a alma da Baixada Cuiabana: o rasqueado.