JOSÉ AGNELLO
RIBEIRO
(1881– 1949)
Mestre
José Agnello, nasceu em Cuiabá em 13
de janeiro de 1881 com 7 anos de idade começou
a estudar música e disciplina escolar no Arsenal
de Guerra e aos dezessete anos tornou-se mestre.
Sua primeira apresentação em público
com essa idade foi com a banda do 8ª Batalhão
de Infantaria regendo a obra o Guarani, do compositor
paulista Carlos Gomes, isso se deu no final do século
XIX numa retreta para o governador do Estado da época
Drº. Joaquim Murtinho, realizado no jardim em
frente ao Palácio.
Tornou-se multi-instrumentista, tocava saxofone, piano,
mas o seu preferido era a clarineta de marca francesa.
Nesse instrumento, foi que ele compôs a maior
parte de suas musicas.
Em 1913 foi nomeado pelo Coronel Escolástico
Srº Virgínio, Mestre de Musica da Banda
Municipal de Cuiabá no dia 12 de outubro. Mais
tarde, acumulou vários outros cargos (professor
da escola de aprendizes artífices hoje Centro
Federal de Educação Tecnológica
de Mato Grosso, Estafeta e Condutor de Malas Cuiabá-Diamantino
em 1916, Auxiliar de Escrita da Secretaria da Intendência
em 1918, Amanuense Cobrador da Secção
Contencioso em 1919, Amanuense da Prefeitura de Cuiabá).
Nos anos vinte, foi musico do cinema mudo em Cuiabá
no Cine Parisien, onde tocou várias obras da
época para a grande novidade, junto a outros
grandes músicos cuiabanos (Zulmira Canavarros,
Honório Sigmarino, Antonio dos Santos, Juvelino
de Freitas e outros), nessa década precisamente
em 1926 Mestre Agnello organizou sua primeira orquestra
chamada Mé Coado “Mé de sopro
instrumental bom” como ele dizia, compondo a
marcha Mé Coado para caracterizar a orquestra,
que estreou numa noite no Palácio da Instrução
num baile em que a orquestra tocou grandes composições
da época e também de sua autoria.
Foi um grande pai, grande irmão, grande filho
e esposo, como conta sua filha Célia Agnello;
e também grande companheiro e colega dos músicos.
Por ser um homem feliz suas musicas demonstram todo
esse brilho no jeito alegre e sobre tudo telúrico.
Suas composições mais conhecidas são:
Na Festa de Maria Murtinho (Rasqueado), Lambari na
Cuia (Rasqueado), No Alto da Chapada (Rasqueado) Haydeá
(samba – choro) A Boneca do Quilombo (Maxixe),
Na Ponte Alta (Rasqueado) Amor de Marinheiro (Rasqueado),
Minha Filha Sinhá (Rasqueado) La Na Bica da
Prainha na Lavagem de São João (Rasqueado)
Mé Coado (Marcha), Espalha Brasa (Rasqueado)
Mulher de Chapéu (Rasqueado) Compadre Mané
(Rasqueado) este rasqueado foi gravado por mim no
CD Rua do Rasqueado). A música Quilombinho
é o rasqueado dele mais conhecido por ser sempre
executado até hoje pelas bandas marciais da
Capital e bandas populares. Foi gravado no final dos
anos 50 pelo Conjunto Serenata. Essa composição
foi inspirada pelo Mestre no seu Bairro Quilombo onde
morava (Rua Batista das Neves) e que no seu jeito
seresteiro acordava as pessoas do bairro com essa
musica.