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  Instrumentos na formação do Rasqueado

A saga da instrumentação do rasqueado se observa em quatro estágios. Assim como outras manifestações dançantes do final do século XIX, o rasqueado criou estilos, escolas e linhas de conotações próprias.

No primeiro estágio acima descrito pela musicista Maria do Carmo Aquino, a voz dos trovadores e dos cantores populares era que fazia solo. Quando entrou o violino, o violão e a sanfona de quatro e oito baixo (pe-de-bode) o baile era feito com alternância entre os cantores e os instrumentos solos acompanhado pelos instrumentos de percussão do siriri (mocho/ganzá/bruaca etc.) acima citados. Nesse estágio do rasqueado, é que começa a bifurcação das linhas.

E o aparecimento do acordeão de 80 e 120 baixos, e o bandoneon, cria-se o chamado rasqueado de fronteira que se aproxima da polca paraguaia e do chamame. É o fim do 2 º estágio, e nascimento do terceiro. Isso acontece, quando os mestres Ignácio Constantino Cerqueira (mestre Ignácio), mestre Antônio dos Santos e Honório Simaringo organizou a banda Operária em 1920 e os instrumentos de banda marcial (sax, trompete, trombone, clarim etc.) começa a desenvolver nova linha da musica, tanto em Cuiabá quanto na Baixada, principalmente na usina Itaici onde o mestre João Marinho da Fonseca começou a interessar pelo rasqueado, tocado pelos “músicos de ouvido” nos intervalos das orquestras como conta o grande discípulo dele, o compositor saxofonista Luis Duarte. Nessa época é que começa a surgir as primeiras partituras da musica escrita o rasqueado cria a conotação urbana no meio popular e as cordas do banjo, cavaquinho, violino e violino-fone se intera com as caixas, pratos e bombos no meio dos metais, formando assim os pequenos grupos para atender as festas de aniversários, de santo, carnaval e outros eventos da época.

Zulmira Canavarro e Dunga Rodrigues foram as “Mary Lou Willians e Lil Hardin”(primeiras pianistas do jazz) a introduzir o piano no rasqueado cuiabano. Com a introdução do piano na música, desafiando a sociedade discriminadora e preconceituosa da época são também responsáveis pela entrada da musica nos saraus cuiabanos no meio de Beethovem, Mozart, Chopin etc. Compositoras e concertistas deixaram vária obras de rasqueado para piano solo. Nesse terceiro estágio é que o rasqueado desenvolve muito suas “fusions” com a música brasileira (chorinho, maxixi, samba, chote etc.). E por ser uma época de instrumento voz-solo nas grandes orquestras. O bairro da capital chamado Baú ou melhor Baú Sereno foi palco histórico dessa época. Época dos bordéis (Lurdinha/Palácio das Águias) do rádio de ondas curtas e das apresentações ao vivo. As composições tornam-se ricas em nuances melódicas e artisticamente complexa na linha harmônica. É o apogeu do rasqueado instrumental e das obras primas, basta escutar o conjunto serenata (o único a deixar um vinil gravado no começo dos anos sessenta). Alias, gostaria de frisar que o rasqueado cuiabano não teve grande discografia como o jazz, o tango, o chorinho etc. enquanto que o rasqueado de fronteira com Nardinho, Mario Zan, Beijamim Ribeiro, Ney Ramon e outros, tiveram muito mais registros fonográficos.

O quarto e último estágio se desenvolveu com instrumentos do advento do rock and roll já na metade dos anos sessenta, e as guitarras de Jacildo, “Seo” Cecílio e outros, começam nessa época a usar também a bateria, o baixo elétrico, junto com os metais e a tumbadora. Mais tarde aparece órgão eletrônico e o teclado que vão ser a nova estampa das bandas de rasqueado, juntamente com os novos cantores e novas composições. A música adquire um pouco mais de aceleração, basta ouvir os artistas do nosso site o qual terá uma idéia melhor do rasqueado cuiabano hoje. Quanto ao rasqueado de fronteira, a maior expressão dos últimos anos foi a pantaneira Helena Meirelles, falecida no ano passado (2005) com seu violão, executava velhas polcas e rasqueados de fronteiras por mais de uma década, alegrando o coração de muita gente no Brasil inteiro. Ficou conhecida no grande público aos 67 anos, sendo a primeira artista mato-grossense de rasqueado a ser reconhecida pela revista americana “Guitar Player” como Spot Light Artist do mês de março de 1994. Embora seja considerada artista de Mato Grosso do Sul por ter nascido lá, ela se considerava “sem fronteira”.

Estamos começando uma fase de transição e a “fusion” dentro do rasqueado onde os velhos instrumentos do siriri (do primeiro estágio) incluindo a viola de colho estão se tornando instrumento solo na Orquestra de Câmara do Estado sob a batuta do maestro Leandro Carvalho. Algumas composições de rasqueado já foram mostradas o ano passado durante a temporada 2005, quando a orquestra estreou sua primeira apresentação.


Guapo.

Instrumentos folclóricos do Pré-Rasqueado.

 
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