CHORADO
As mulheres de Vila Bela da
Santíssima Trindade não participam da
coreografia da Dança do Congo, mas reúnem-se
para dançar o chorado após suas obrigações
com a cozinha. Cabe a elas preparar as refeições
servidas nas festanças em que todos os presentes
têm comida da melhor qualidade, à vontade.
O Chorado é dançado
e cantado animadamente, com grande domínio
de movimentos, letras e melodias, ao ritmo que as
mulheres mais competentes na percussão executam,
batendo numa mesa, banco ou tambor.
Corresponde, ainda, a um jogo
bastante interessante e divertido. Quando uma das
mulheres, dançando sutilmente, aproxima-se
de um dos homens presentes e amarra um lenço
em seu pescoço, ele deve doar uma bebida ao
grupo, cuja garrafa será colocada no centro
da roda e então uma das dançarinas deverá
pegá-la e dançar com ela solta sobre
a cabeça, mostrando suas habilidades, equilíbrio
e graça, principalmente ao patrocinador dessa
bebida.
As músicas desta dança
retratam a vida cotidiana das pessoas, os seus amores
e a natureza.
"Bem-te-vi bateu asa
Bateu asa e voou
Quando tu for embora
Dá lembrança a meu amor."
"Eu vou embora
Eu não volto mais aqui
Eu vou morar na mata
Onde canta o juruti."
Tal expressão
necessita de um aprofundamento de pesquisa para a
obtenção de maiores dados sobre sua
origem. Geograficamente, a expressão que mais
se aproxima desta dança é a "Dança
da Galopeira", no Paraguai, que também
se dança com garrafa na cabeça. A diferença
é que a bailarina não canta, pois o
tema é instrumental, a base de harpa e violão,
ou banda musical.