CHAMAMÉ PANTANEIRO
A maior parte dos ritmos latino-americanos
é sempre um produto do choque de culturas,
isto é, nasce da resistência natural
do ser invadido em relação ao invasor
e sua proposta de comportamento.
O Chamamé, é
assim como os outros ritmos platinos ( Polca Paraguaia,
Chopin, Lando, Galopa etc.) é uma expressão
que se formou no processo histórico da bacia
platina e do pantanal.
A origem do Chamamé
é ainda desconhecida, embora existam três
tentativas para explica-la. Sendo que uma delas é
lenda: conta-se que Samuel Aguayo (músico Paraguaio)
estava a caminho de Buenos Aires e, numa pousada na
região de Corrientes (Argentina), falou para
seus músicos, companheiros de viagem: mbae
catu ña mbopu? (do vocabulário guarani,
significando: o que vamos tocar de bom?) e outro músico
respondeu: nã mo chamame - mame mbaena (vamos
improvisar alguma coisa para segurar os presentes)
e começaram a brincar com o ritmo do purajhei
deixando que cada um improvisasse no seu respectivo
instrumento, até mesmo com uma letra inventada
no momento.
Esse fenômeno musical
foi um acontecimento tão significativo que
influenciou muitos artistas do cone sul, sendo difícil
não existir corrente musical nesta região
que não tenha uma pitada de chamame, basta
ver a música gaúcha.
Em Mato Grosso se diz que
o chamame é igual ao trote preguiçoso
de um cavalo nas campanhas, como seu dono no dorso,
sem pressa de chegar ao rancho. Por outro lado, é
visto como o caminhar de mato-grossense Pantaneira
e seu andar balançante em direção
do rio, levando além da trouxa de roupas na
cabeça, a guampa de tererê, no sapicoá
e o tabaco de mascar. Essa estampa está na
letra do chamame "A mato-grossense", de
Zacarias Mourão, onde o autor diz... Essa morena
tem a cor de Jambo, é fascinante até
no andar...