BOI-À-SERRA
É muito comum a figura
do boi em todas as manifestações populares
do Brasil. Em Mato Grosso, o boi é reverenciado
com uma brincadeira denominada boi-à-serra,
que geralmente acontece em meio à brincadeira
do siriri.
Uma figura de boi composta
por uma armação feita à base
de bambu, fortemente amarrada com arame, recoberta
com panos coloridos e tendo à frente uma cabeça
de boi, passa pelo meio do povo (geralmente disposto
em círculo para assistir ao siriri) e vai para
o espaço central da roda. Uma vez dentro da
roda, o boi começa por avançar sobre
o público presente, causando um certo pânico
aos mais desavisados. Sobre esta situação,
afirma Max Schimdt:
(...) depois que desapareceu
o jaguar, entrou uma coisa negra de grandes proporções,
com chifres e focinho pontudo, a representar um boi.
Novamente as crianças presentes puseram-se
a chorar. O boi começou logo a dançar
comicamente, mas sentiu-se mal e foi preciso chamar
um médico que fez restabelecer-se.
Nesta brincadeira popular
também participam, além da figura do
boi, os denominados chamadores
do boi (violeiros e tocadores de ganzá), o
toreador ou domador com um lenço geralmente
vermelho, e um personagem mascarado, geralmente vestido
para também assustar ao público presente.
A estrutura musical é a mesma do siriri, contando
com as chamadas carreiras
que são versos criados e adaptados para contar
história da vida, da captura e da morte de
um boi.
Bibliografia: S.A.F.
Abel; Uma Melodia Histórica, Eco, Cocho, Cocho–Viola,
Viola-de-Cocho.