JUCA DE MESTRE
ABORDAGEM: DIFERENÇA
DO RASQUEADO ANTIGO E O RASQUEADO ATUAL (COMERCIAL);
DISCRIMINAÇÃO DO RASQUEADO;
MODIFICAÇÔES NO RITMO E NA DANÇA;
MUDANÇAS NOS INSTRUMENTOS UTILIZADOS.
Sobre a história
da música cuiabana eu não posso falar
direito porque, sou novo nisso, quem sabia era meu
pai o mestre Albertino, que já faleceu. Mas
segundo ele falava para nós, o rasqueado daquele
tempo era bem florido, não é como o
de agora.
O rasqueado daquele tempo tinha a letra muito difícil,
e era mais tocado pelos metais, pelo saxofone, pistão,
trombone e contra baixo tuba.
Nós tínhamos uma banda que se chamava
“Sete de Ouro”. Depois meu pai parou de
tocar e eu fiquei com meu irmão Bolinha com
a banda Los Bambinos. Los Bambinos acabou e eu fiquei
com Valdemar Silva que era um músico daqui
e que tocava muito rasqueado, já é falecido.
O rasqueado hoje modificou muito, o pessoal está
querendo passar pelo mambo. Antigamente a dança
do rasqueado era muito bonita, no ritmo três
por um.
Os principais instrumentos eram violino fônico,
violão banjo, instrumentos de percussão
e bastante instrumentos de cordas.
Hoje o rasqueado está modificando e tecnicamente
o pessoal quer passar para lambadão, o que
eu não concordo.
O ritmo diferenciou muito, até meu irmão
o Bolinha, o rasqueado dele está diferente
do rasqueado do meu pai.
O rasqueado original está correndo o risco
de desaparecer, ante as modificações
que nele estão sendo introduzidas.
No passado muitas pessoas tinham vergonha de tocar
o nosso rasqueado, chegavam até dizer “aqui
não pode tocar porque aqui é elite,
pessoal mais granfino”.
Hoje muitos que não tocavam o rasqueado estão
querendo, porque tornou-se uma negócio financeiro,
querem fazer sucesso ganhar dinheiro as nossas custas.
Não estão preocupados em conservar o
ritmo, querem fazer outro ritmo, diferente do rasqueado
cuiabano, que como já falei é três
por um.
Fonte: Rasqueado
Cuiabano - Do pré-rasqueado às Mágicas
da Mídia
Monografia de Graduação em Educação
Artistica - Habilitação em Música/UFMT/2001
Autora:
Maria do Carmo Aquino e Silva.