ABEL
SANTOS FILHO
Rasqueado e festas religiosas
Com relação
às festas religiosas e profanas, assim falaria
Muller:
“As festas
religiosas do Espírito Santo e de São
Benedito, principalmente a primeira atraindo grande
números de famílias de fazendeiros,
agricultores e criadores da “serra acima”
e o “rio abaixo” transcorrian com muito
zelo, com uma programação demorada por
vários dias, incluindo três dias de “esmolas”
com almoços nas casas dos festeiros (imperador
e imperatriz do Divino), as “touradas”,
leilões, missa solene, procissão e baile
finalizando os festejos, congregando povo e sociedade
num turbilhão de alegria” (Maria de Arruda
Muller e Dunga Rodrigues, Cuiabá ao longo de
cem anos, p. 75)
As mais antigas
manifestações de caráter musical
são denominadas CURURU, SIRIRI, SÃO
GONÇALO, BOI-A-SERRA, anotando-se também
a presença da CATIRA, trazida a esta região
pelos tropeiros como elemento de ligação
das regiões de Minas Gerais e Goiás.
De forma tardia, provavelmente a partir do ano de
1865 em diante (após o término da Guerra
do Paraguai), surge no panorama rítmico da
região Centro-oeste do Brasil, a POLCA PARAGUAIA,
executadas nas cordas da harpa rascando-se os dedos
sobre suas cordas. Esta batida trazida por músicos
paraguaios seria difundida nos chamados Chinfrins
–verdadeiros bailes populares das camadas mais
humildes da região ribeirinha-, tendo portanto
influenciado os músicos violeiros a estabelecerem
o chamado ARRASTA-PÉ, proveniente do ritmo
paraguaio, porém, agora, rascado ou rasqueado
nas cordas das violas-de-cocho da região. Atualmente
este ritmo recebe o nome de sua técnica da
execução: RASQUEADO, sendo, contudo,
uma mescla do antigo arrasta-pé (mais lento,
cadenciado e Andante com pulsações de
metrônomo em torno dos 95 a 125) com a batida
vibrante e Allegro do siriri (por volta de 150 pulsos
por minuto).
Visando deixar aqui um registro escrito e sonoro sobre
os principais características das manifestações
culturais acima mencionadas, é que se segue
o presente resumo, que o leitor poderá acompanhar
pelas referidas canções no CD anexo
a este livro.
Bibliografia: S.A.F. Abel;
Uma Melodia Histórica, Eco, Cocho, Cocho–Viola,
Viola-de-Cocho.